BIO CURTA

Júlia Tygel é pianista e compositora. É doutora em música pela USP, tendo realizado parte do programa na City University of New York como bolsista CAPES-Fulbright, além de bacharel e mestre em música pela UNICAMP. Sua abordagem musical mescla uma formação clássica a influências da música popular e da música moderna. Júlia já se apresentou em diversos teatros no Brasil e exterior, especialmente em Nova York, e em 2011 lançou seu primeiro CD, “Entremeados”, com financiamento da Prefeitura de Campinas. Tocou em eventos como “O piano brasileiro na Casa do Núcleo” (lançado em CD pelo selo Núcleo Contemporâneo, 2015), Palco Piano na Praça na Virada Cultural, e teve apoio do Consulado Brasileiro para concerto em Nova York. Como pesquisadora, possui vários artigos publicados em anais de congressos de pesquisa em música no país e alguns no exterior. É professora na Faculdade de Música Souza Lima (SP) e no curso de Educação Musical à Distância da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

BIO LONGA

Júlia Tygel nasceu em Salvador/BA, mas cresceu em Campinas/SP. Iniciou seus estudos de piano aos 7 anos, e aos 9 ingressou na Escola de Artes Pró-Música de Campinas, estreando no mesmo ano sua primeira composição, para piano e conjunto Orff. Aos 18 ingressou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) no bacharelado em Música – modalidade Composição, e durante o curso tornou-se aluna de piano do Prof. Dr. Sílvio Baroni.

Ao longo da graduação, Júlia manteve um duo de violoncelo e piano com o violoncelista Mário Costa, da Orquestra Sinfônica de Campinas, para o qual escreveu os arranjos que se tornariam o repertório de seu primeiro CD, Entremeados, lançado em 2011 com as violoncelistas Adriana Holtz (OSESP) e Vana Bock (OSUSP), além das participações de João Taubkin (contrabaixo acústico) e Thais Nicodemo (piano a 4 mãos). O CD teve produção musical de Benjamim Taubkin, foi realizado com financiamento da Prefeitura de Campinas por meio do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC), e foi pré-selecionado para o Prêmio da Música Brasileira. O projeto foi apresentado em diversos teatros do estado de São Paulo como o Museu da Casa Brasileira, SESC Vila Mariana, Sesc São José do Rio Preto, Centro Cultural São Paulo, Casa de Francisca, Casa do Núcleo, Espaço Dodecafônico de Jundiaí, Centro de Convivência Cultural de Campinas, turnê em teatros do SESI (Birigui, Sorocaba, Mogi das Cruzes, São José do Rio Preto e Santos). Em 2012, o show foi apresentado em Nova York, em locais como Cornelia Street Cafe, Barge Music, Brazilian Endowment for the Arts e Tenri Cultural Institute, recebendo também apoio do Consulado Brasileiro. Nos EUA, Júlia se apresentou ao lado da violoncelista Jody Redhage, do grupo Chamber Music Society de Esperanza Spalding.

Nos últimos anos de sua graduação, iniciou uma pesquisa sobre práticas dialógicas de investigação em etnomusicologia junto a dois projetos de pesquisa participativa: o Arquivo Musical Timbira, idealizado pela compositora e pesquisadora Kilza Setti e realizado pelo Centro de Trabalho Indigenista junto aos índios Timbira do Tocantins e Maranhão, e os trabalhos do Laboratório de Etnomusicologia, Antropologia e Audiovisual do Recôncavo (LEAA/Recôncavo), idealizado e coordenado pela pesquisadora Dra. Francisca Marques em Cachoeira, Bahia. Essa pesquisa seria tema de sua iniciação científica (2006) e mestrado (2009), ambos realizados na UNICAMP, com auxílio FAPESP, sob orientação da Profa. Dra. Lenita Nogueira. Ao longo dessa pesquisa, apresentou artigos em diversos congressos no país (ANPPOM, SINPOM, ABET, entre outros) e alguns no exterior (Convegno Internazionale di Americanistica – Perugia/Itália, e British Forum for Ethnomusicology – Liverpool/ Inglaterra).

Unindo os aprendizados em etnomusicologia ao interesse pelo estudo da composição, Júlia realizou entre 2010-2014 um doutorado na USP na área de análise musical, sob orientação do Prof. Dr. Marcos Lacerda e auxílio CAPES, sobre técnicas composicionais baseadas em repertórios tradicionais (folclóricos) em obras de Béla Bartók (Hungria) e Villa-Lobos (Brasil). A pesquisa comparou as abordagens dos dois compositores ao debruçarem-se sobre a tarefa de criar músicas a partir de elementos de tradições orais de seus territórios. Entre 2011-2012, Júlia realizou parte da pesquisa na City University of New York (CUNY) sob orientação do Prof. Dr. Joseph Straus, como recipiente da bolsa de doutorado sanduíche CAPES-Fulbright, tendo sido a única selecionada da área de artes naquele ano.

Após a conclusão de seu doutoramento, Júlia retomou os estudos de piano e da composição, além de iniciar uma busca por autoconhecimento pautada principalmente pela yoga e pela meditação. Nesse período, trabalhou em projetos pessoais e teceu parcerias com outros artistas. Retomou o projeto Entremeados, criando sua segunda etapa Novos Enredos, com um novo repertório que explora principalmente a obra de Milton Nascimento, e que foi apresentado na Biblioteca Mário de Andrade (SP), Santander Cultural (Porto Alegre), Museu do Estado de Recife e Festival de Inverno de Garanhuns (PE). Em parceria com a atriz Marilene Grama, criou o espetáculo híbrido de música, teatro e poesia Vide Verso: Manoel de Barros em Música e Poesia, para o qual musicou poemas de Manoel de Barros. O espetáculo já foi apresentado em teatros como o SESC Bauru, Bienal Internacional do Livro de Alagoas, SESC Osasco. A convite da flautista Paula Pascheto, passou a integrar o Duo Flutuart, escrevendo os arranjos de um concerto com obras de Chiquinha Gonzaga, que vem sendo apresentado em diversos teatros do SESC nos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul. No momento, prepara as apresentações do projeto Mares de Minas, da cantora mineira radicada em São Paulo Fernanda de Paula, para o qual escreveu os arranjos centrados no duo voz e piano. O projeto tece conexões musicais e poéticas entre Minas Gerais e o mar.

Desde 2014, Júlia é professora da Faculdade de Música Souza Lima e do curso de Educação Musical à Distância da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Imagem: Yuri Tavares.